{"id":325,"date":"2023-02-14T19:53:32","date_gmt":"2023-02-14T19:53:32","guid":{"rendered":"https:\/\/hajasaudeemum.com\/?p=325"},"modified":"2023-02-14T19:53:32","modified_gmt":"2023-02-14T19:53:32","slug":"a-metamorfose-dos-passaros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hajasaude.alumnimedicina.com\/index.php\/2023\/02\/14\/a-metamorfose-dos-passaros\/","title":{"rendered":"A Metamorfose dos P\u00e1ssaros"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\">Eva Ferreira<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPensas muitas vezes na morte?\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c0s vezes&#8230; e tu?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o penso muito.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a tua pergunta revelava o contr\u00e1rio. A morte \u00e9 para os vivos. Mostraste-me isso e este filme tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Repleto de momentos contemplativos, esta obra cinematogr\u00e1fica mostra-nos essencialmente como a morte se repercute no tempo e como esta deixa marcas profundas em quem a relembra angustiosamente no presente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Fundindo fic\u00e7\u00e3o e mem\u00f3ria, a realizadora conta a hist\u00f3ria da sua fam\u00edlia de uma forma profunda e po\u00e9tica, fazendo da natureza moldura para muitas das sensa\u00e7\u00f5es que pretende evocar. A harmonia das paisagens \u00e9 antagonizada pelo sofrimento de uma fam\u00edlia portuguesa que perde duas m\u00e3es em gera\u00e7\u00f5es sucessivas. Estas m\u00e3es s\u00e3o descritas como \u00e1rvores que transmitem seguran\u00e7a na sua verticalidade e for\u00e7a. A perda e o luto mostram-nos que o que fica realmente da breve passagem humana \u00e9 a mem\u00f3ria, espelhada nos descendentes e naqueles que conseguimos tocar de alguma forma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O sofrimento \u00e9 dos que ficam, \u2013 \u201cThe dead don\u00b4t know they are dead. Death is an issue for the living.\u201d \u2013 dos que continuam a viver e a perpetuar a mem\u00f3ria daqueles que foram dando significado \u00e0s suas vidas. Quando n\u00e3o houver ningu\u00e9m para os relembrar, certamente morrer\u00e3o uma segunda vez. Este relato existencialista pode trazer ao de cima o medo da morte, a consci\u00eancia do peso das mem\u00f3rias e a responsabilidade que sentimos para as mantermos vivas. Quando as reminisc\u00eancias forem mais alegres do que dolorosas, aprendemos a recordar. Quando o medo se transformar na fome de vida, talvez saibamos como viver.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Beatriz, av\u00f3 da realizadora, \u00e9 uma das m\u00e3es, uma personagem central, caracterizada pela sua vivacidade. Ap\u00f3s a sua morte, o envelhecimento daqueles que a amam ocorre com a naturalidade que lhe \u00e9 intr\u00ednseca, obrigando a uma aceita\u00e7\u00e3o da vida ap\u00f3s a perda: \u201cO meu corpo j\u00e1 n\u00e3o me responde. Quando era jovem, ele era calado e eu nem dava por ele. Agora ele existe mais do que eu. (\u2026) Sinto-me cada vez mais perto de ti, Beatriz, mas vou ter saudades de ver o mar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A reflex\u00e3o que ocorre quase inevitavelmente ao longo do filme torna-se crucial na nossa forma de perspetivar a vida, sendo que o formato intimista em nada impede o despertar de uma an\u00e1lise coletiva. Demonstrando concomitantemente a nossa impot\u00eancia e fragilidade perante a morte e a grandiosidade da nossa exist\u00eancia, esta longa-metragem reveste-se de importantes ensinamentos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eva Ferreira \u201cPensas muitas vezes na morte?\u201d&nbsp; \u201c\u00c0s vezes&#8230; e tu?\u201d \u201cN\u00e3o penso muito.\u201d Mas a tua pergunta revelava o contr\u00e1rio. A morte \u00e9 para os vivos. Mostraste-me isso e este filme tamb\u00e9m. 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