{"id":332,"date":"2023-02-14T20:06:15","date_gmt":"2023-02-14T20:06:15","guid":{"rendered":"https:\/\/hajasaudeemum.com\/?p=332"},"modified":"2023-02-14T20:06:15","modified_gmt":"2023-02-14T20:06:15","slug":"a-tolerancia-intolerante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hajasaude.alumnimedicina.com\/index.php\/2023\/02\/14\/a-tolerancia-intolerante\/","title":{"rendered":"A Toler\u00e2ncia Intolerante"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\">Pedro Gon\u00e7alves<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto podemos tolerar? Diria que a quest\u00e3o se prende ao quanto cada um \u00e9 capaz de ceder. Ent\u00e3o, tolerar \u00e9 ceder? N\u00e3o tem que ser, nem deve ser. \u00c9 mais como que o fruto do respeito pelos outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Devido \u00e0s nossas diferen\u00e7as respeitamo-nos diferentemente, dando asas ao que consideramos intoler\u00e1vel e toler\u00e1vel. Estas incoer\u00eancias pessoais toldam as comunidades, os seus valores, as suas vontades e, por conseguinte, a sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Era rapazito ainda, quando me foi incutido que o amor, a chave para a felicidade, subsiste na nossa capacidade de saber perdoar &#8211; na aceita\u00e7\u00e3o encontraremos a paz. Mas, tamb\u00e9m sei que sen\u00e3o queremos viver subjugados, tem que partir de n\u00f3s o esp\u00edrito cr\u00edtico; ser assertivo para quem desrespeita e abusa da nossa bondade. \u201cN\u00e3o sejas ing\u00e9nuo!\u201d &#8211; digo para mim mesmo. E \u00e9 desta forma que, de uma educa\u00e7\u00e3o comumente fal\u00edvel, nascem os dilemas. Dilemas estes que se plantam \u00e0 luz da consci\u00eancia e suplantam a nossa clarivid\u00eancia, o nosso esp\u00edrito naturalmente bom e respeitador.<\/p>\n\n\n\n<p>Sinto que estamos a dar passos para tr\u00e1s, a entrar num novo pesadelo dominado pelo populismo e os seus apoiantes revoltadinhos, por brancos cegos, incapazes de ver a cor pelo que \u00e9, transformando-a num s\u00edmbolo de perigo que se prepara para ficar com tudo o que \u00e9 deles. Pergunto-me, de onde \u00e9 que sa\u00edram estas \u201caves raras\u201d? Nasceram da flexibilidade desmedida daqueles que n\u00e3o viram problema em arranjar lugar para todos \u00e0 mesa dos crescidos. O problema est\u00e1 na implacabilidade da n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o, no receio de repreender atitudes incorretas e a propaga\u00e7\u00e3o de valores e ideais absurdos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Resultado: os partidos neo-nazis perdem a vergonha e desfilam pelas ruas; Trump, Bolsonaro, Andr\u00e9 Ventura e outras faces do extremismo pol\u00edtico impulsionam o populismo, a arte de cativar com ideias ignorantes, o racismo, o machismo, a supremacia da na\u00e7\u00e3o, o falso patriotismo, a vitimiza\u00e7\u00e3o irreal. Perdeu-se o significado de liberdade; enfim, reina a intoler\u00e2ncia. &nbsp;E por mais estranho que pare\u00e7a, muitas destas pessoas, defensoras da censura pelo suposto bem maior, sentem-se insultadas e desrespeitadas, como que se a sua liberdade estivesse a ser atacada, quando, na verdade, os seus atos espelham aquilo de que tanto se queixam. N\u00e3o t\u00e3o complexo como viajar no tempo, mas ainda assim complicado de compreender este paradoxo social em que nos encontramos.<\/p>\n\n\n\n<p>Gosto de acreditar no bom senso individual, mas sei que tal carater\u00edstica \u00e9 rara nos dias que correm. A nossa b\u00fassola moral j\u00e1 n\u00e3o sabe para onde se virar com tanta politiquice, corrup\u00e7\u00e3o, um ensino que fica a desejar e pobre nos temas que debatemos diariamente e nos afligem cada vez mais. Corre-nos no sangue, a uns mais do que a outros, questionarmo-nos acerca do porqu\u00ea de as coisas serem assim, mas num pa\u00eds e num mundo onde tanto acontece \u201cporque sim\u201d acabamos por desistir de lutar contra a corrente que tanto nos enerva. Diria que, acima de tudo falta-nos esp\u00edrito cr\u00edtico, capacidade para n\u00e3o aceitar todas as opini\u00f5es s\u00f3 porque est\u00e3o no seu direito. Uma coisa \u00e9 certa: da intoler\u00e2ncia nasce a persist\u00eancia, a resist\u00eancia \u00e0 mudan\u00e7a, sobrando uma sociedade pobre, pintada orgulhosamente aos olhos de quem foi ingenuamente tolerado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Gon\u00e7alves Quanto podemos tolerar? Diria que a quest\u00e3o se prende ao quanto cada um \u00e9 capaz de ceder. Ent\u00e3o, tolerar \u00e9 ceder? N\u00e3o tem que ser, nem deve ser. \u00c9 mais como que o fruto do respeito pelos outros. Devido \u00e0s nossas diferen\u00e7as respeitamo-nos diferentemente, dando asas ao que consideramos intoler\u00e1vel e toler\u00e1vel. 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