{"id":377,"date":"2023-03-08T10:14:37","date_gmt":"2023-03-08T10:14:37","guid":{"rendered":"https:\/\/hajasaudeemum.com\/?p=377"},"modified":"2023-03-08T10:14:37","modified_gmt":"2023-03-08T10:14:37","slug":"momento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hajasaude.alumnimedicina.com\/index.php\/2023\/03\/08\/momento\/","title":{"rendered":"Momento"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\">In\u00eas Maia<\/p>\n\n\n\n<p><em>Haver\u00e1 mais sublime e dedicada viv\u00eancia que aquela que se presta \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o de todos os momentos que foram para se viver?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo estagnada, por apar\u00eancia enganadora, a vida insiste em correr e corre. E n\u00f3s assistimos a esta corrida, por vezes melancolicamente morosa, outras vezes como a um cavalgar veloc\u00edssimo que impossivelmente se acompanha.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Assistimos, ora sonolentos, ora atentos e vivos para a beleza de tudo isto, de toda esta corrida que afinal n\u00e3o \u00e9 corrida nenhuma.<\/p>\n\n\n\n<p>E a vida corre e passa por n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Sente-se na pele o rugido ventoso da sua passagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Um rugido que aflige o peito que j\u00e1 contra\u00eddo se recorda que n\u00e3o a viu correr, apenas a viu passar, n\u00e3o a buscou, sentou-se, conformou-se, pasmou, e agora chora o cora\u00e7\u00e3o dos olhos que n\u00e3o souberam ver, das m\u00e3os geladas e inertes que n\u00e3o a souberam ter, dos ombros curvados e para sempre afastados da beleza de tudo isto.<\/p>\n\n\n\n<p>Outras tantas vezes, sente-se a passagem como uma brisa ro\u00e7ando a carne quente do espectador. E \u00e9 agrad\u00e1vel como esta refresca e alivia o calor insuport\u00e1vel de se ser e de estar.<\/p>\n\n\n\n<p>E nisto a vida passou, vimo-la correr, mas assistimos \u00e0 sua ida. N\u00e3o foi rugido ent\u00e3o, foi o soar da sua ida, que memorizamos, recordamos, vivemos. \u201cEu vi-a\u201d diz o espetador d\u00f3cil e meigo da fundura da sua alma que senta e espera e vive para a beleza disto tudo que s\u00e3o momentos, \u201cEu vi-a! Ah como era singela na corrida. Mas que corrida, afinal? Eu vi-a, mas n\u00e3o vi corrida alguma. Era todo um caminhar, compassado \u00e9 certo, mas n\u00e3o urgente. O tempo n\u00e3o urgia. As coisas cessavam quando tinham de cessar. E depois voltava-se \u00e0 ordem natural das coisas e ela seguia e eu vi-a seguir muitas vezes. Nunca deixando de a fitar, os meus olhos nunca a perderam. Soube sempre onde andava, onde busc\u00e1-la, onde receb\u00ea-la, onde viv\u00ea-la, e jazo hoje sem saber onde perd\u00ea-la. Grande contentamento o meu, que vivi uma vida sem nunca a saber perder!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Nota da autora: \u00c0 luz da atual incerteza e receio, saibamos descobrir em cada um de n\u00f3s a for\u00e7a motriz do nosso existir humano, aquilo que atribui significado \u00e0 vida que conduzimos e que nos conduz. Saibamos viver em concord\u00e2ncia com a ess\u00eancia branda de todas as coisas e descobrir em cada momento mais um motivo para sermos, vivermos e estarmos no caminho que temos vindo a tra\u00e7ar, cientes de que o tempo que passa n\u00e3o est\u00e1 condenado ao esquecimento, mas sim \u00e0 recorda\u00e7\u00e3o saudosa e meiga daquilo que nos trouxe aqui e nos levar\u00e1 al\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>In\u00eas Maia Haver\u00e1 mais sublime e dedicada viv\u00eancia que aquela que se presta \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o de todos os momentos que foram para se viver? Mesmo estagnada, por apar\u00eancia enganadora, a vida insiste em correr e corre. 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