{"id":381,"date":"2023-03-08T10:19:21","date_gmt":"2023-03-08T10:19:21","guid":{"rendered":"https:\/\/hajasaudeemum.com\/?p=381"},"modified":"2023-03-08T10:19:21","modified_gmt":"2023-03-08T10:19:21","slug":"naturalmente-em-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hajasaude.alumnimedicina.com\/index.php\/2023\/03\/08\/naturalmente-em-nos\/","title":{"rendered":"Naturalmente (em) n\u00f3s"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\">In\u00eas Maia<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 um consider\u00e1vel prazer em revisitar a Natureza em locais de sil\u00eancio e contempla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Perto do campo, murados pelos universos virtuais que nos comp\u00f5em e nos encarceram, recuperamos laivos de liberdade com gosto a fresco e renova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas flores, redescobrimos infantilmente o ar singelo do mundo a cores e a suavidade do toque que anseamos, o desejo de abandonar todas as futilidades e juntarmo-nos, naturalmente, \u00e0 esfera da simplicidade que fecunda a exist\u00eancia. As folhas das \u00e1rvores juntam-se e afastam-se, ro\u00e7ando umas nas outras e produzindo melodias vivas de valsas inesquec\u00edveis. As folhas s\u00e3o afinal como a gente: afastam-se para, entretanto, se reaproximarem, e nestes infinitos recuos e avan\u00e7os produzem a harmonia das verdadeiras rela\u00e7\u00f5es humanas, onde h\u00e1 espa\u00e7o, onde h\u00e1 toque, e a m\u00fasica simboliza a incompreens\u00e3o compreens\u00edvel de tudo aquilo que vivemos.<\/p>\n\n\n\n<p>Junto dos campos espraiam-se as nossas filosofias vagas. Na extens\u00e3o verde e pura, ondulante e embebida numa magistral quietude irrequieta, as nossas teorias ideais e as verdades que julg\u00e1vamos absolutas dissolvem-se num nada gigantesco que pouco importa, que n\u00e3o incomoda jamais. Livres do peso do nosso existencialismo for\u00e7ado, como uma veste que, por obriga\u00e7\u00e3o, temos de envergar, resulta a nudez do esp\u00edrito que caminha. Julgamo-nos livres, juntamente com os fragmentos e ligeiros manifestos de vida que envergamos. Envolve-nos um cen\u00e1rio id\u00edlico que nunca uma poesia ou prosa bem concebidas poder\u00e3o construir, a brisa \u00e9 mais forte e sente-se o arrepio da pele e o afago da verdura no p\u00e9 descal\u00e7o e a extens\u00e3o do ser confunde-se numa mescla de intimidade com toda a natureza envolvente. A palavra, se for dita, perde todo o sentido, sucumbe ao belo adjacente e imperioso da natureza que se assume perante n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sua intimidade, reencontramo-nos com o nosso eu esquecido, extens\u00e3o primitiva do nosso ser, a infantilidade encarcerada e mascarada pelo pensamento adulto. Neste reencontro connosco pr\u00f3prios julgamo-nos mais felizes, at\u00e9 que um baque de descontentamento ou um perfume melanc\u00f3lico nos atravessa e julgamo-nos, para sempre, escravos da injusta carga do pensamento. Se n\u00e3o pensasse n\u00e3o te recordava, gritar\u00e1 algures um rom\u00e2ntico destro\u00e7ado aos ecos das montanhas. Oxal\u00e1 n\u00e3o pensasse e n\u00e3o viessem ao de cima os medos e as verdades escuras, lamentar-se-\u00e1 algu\u00e9m a uma flor quebrada no campo. Se n\u00e3o pensasse n\u00e3o te escreveria, n\u00e3o marcaria em papel e palavra tudo aquilo que sinto quando est\u00e1s aqui, t\u00e3o perto, seja natureza, seja gente, sejam ambas quem me fazem verter um amor imenso que necessita de versos para se explicar melhor! A poesia findaria e tudo o que \u00e9 belo, por muito que o fosse, n\u00e3o perduraria no imagin\u00e1rio que constru\u00edmos. Afinal o pensamento que aqui me trouxe por excesso \u00e9 o mesmo que me faz refletir acerca do valor de tudo o que me rodeia.<\/p>\n\n\n\n<p>Perante o sil\u00eancio que se segue ao chilrear das aves, a \u00e2nsia de resolvermos os problemas do dia-a-dia reapodera-se de n\u00f3s. Estando afastados da rotina e caminhando para outros lugares novos e meditativos, reconhecemos a inutilidade das nossas inquieta\u00e7\u00f5es e por vezes avistamos solu\u00e7\u00f5es simples. O homem na natureza e em comunh\u00e3o com esta sente-se melhor, mais digno do seu t\u00edtulo e condi\u00e7\u00e3o, em paz e em harmonia. Enfim, a vida simplifica-se brutalmente. Os hor\u00e1rios perderam-se, os deveres sucumbiram ao olhar pl\u00e1cido das plantas, a gravidade do semblante parece imposs\u00edvel diante as soalheiras paragens, a agonia de viver perde completamente o seu sentido, decresce a vontade de fugir e apodera-se de n\u00f3s a arte de ficar, permanecer, saborear e viver longa e levemente todos os momentos por igual.<\/p>\n\n\n\n<p>Retomamos, depois, \u00e0 rotina, \u00e0s demandas di\u00e1rias, mas a verdade \u00e9 que trazemos em n\u00f3s a mesma subtileza das flores, o mesmo calor dos fins de tarde, a mesma for\u00e7a revitalizante das \u00e1rvores e a mesma docilidade e compaix\u00e3o de todas as formas naturais que nos acalmaram a tempestade interior. Na cidade julgamo-nos para sempre afastados da Natureza, mas aquilo que efetivamente nos falha \u00e9 a capacidade de a revermos em n\u00f3s, interiormente.<\/p>\n\n\n\n<p>Caminha como se fosses ave e canta ao ouvido de quem passa.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00ea flor e d\u00e1 cor \u00e0s vidas que se atravessam na tua.<\/p>\n\n\n\n<p>Concretiza-te nesta forma t\u00e3o natural e ver\u00e1s que a natureza habita, naturalmente, em cada um de n\u00f3s. Somos todas as esta\u00e7\u00f5es, trazemos em n\u00f3s a alegria, cor e luz, sorrimos e semeamos algures mais sorrisos, dispersamos melodias vastas, deixamo-nos atravessar pelo tempo e mudamos em fun\u00e7\u00e3o da sua passagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Afinal a Natureza habita e faz parte de n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>T\u00e3o naturalmente (em) n\u00f3s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>In\u00eas Maia H\u00e1 um consider\u00e1vel prazer em revisitar a Natureza em locais de sil\u00eancio e contempla\u00e7\u00e3o. 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