{"id":864,"date":"2023-05-01T19:00:01","date_gmt":"2023-05-01T18:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/hajasaudeemum.com\/?p=864"},"modified":"2023-05-01T19:00:01","modified_gmt":"2023-05-01T18:00:01","slug":"primazia-a-poesia-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hajasaude.alumnimedicina.com\/index.php\/2023\/05\/01\/primazia-a-poesia-2022\/","title":{"rendered":"Primazia \u00e0 Poesia 2022"},"content":{"rendered":"\n<p>Nesta edi\u00e7\u00e3o do Concurso &#8220;Primazia \u00e0 Poesia&#8221; o painel de jurados foi composto pelo Prof. Dr. Jorge Correia-Pinto, Investigador no ICVS e presidente da EM-UM, pela Prof.\u00aa Dr.\u00aa Maria de Jesus Cabral, auxiliar convidada na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e investigadora do projeto \u201cNarrativa e Medicina\u201d, e pela Cristina Voronin, membro do HS!. Foi atribu\u00eddo um pr\u00e9mio ao poema vencedor, nomeadamente um jantar na Taberna do LEBRE e um livro da Cent\u00e9sima P\u00e1gina. Em seguida temos o poema vencedor &#8220;Contram\u00e3o&#8221; escrito por K. e os restantes poemas escritos pelos outros participantes. A equipa do HajaSa\u00fade! deseja muitos parab\u00e9ns a todos pela express\u00e3o e criatividade. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Contram\u00e3o &#8211; K.<\/h2>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-vertical is-layout-flex wp-container-1\">\n<pre class=\"wp-block-verse\">Teu lugar,&nbsp;\nAo lado do meu,&nbsp;\nPara l\u00e1 do trav\u00e3o de m\u00e3o&nbsp;\nE da chama de igni\u00e7\u00e3o,&nbsp;\nQue n\u00e3o quer pegar.&nbsp;\n\nDeixo ficar&nbsp;\nNo retrovisor o adeus;&nbsp;\nUm beijo sobre o alcatr\u00e3o&nbsp;\nE as po\u00e7as sob as minhas botas, \u00c1guas do c\u00e9u no ch\u00e3o.&nbsp;\n\nEspero aqui&nbsp;\nEm baixo, pela luz \nacender; Pela porta abrir e \nbater,&nbsp;\nPela menina sair e sorrir, a correr,\nA fugir da chuva.&nbsp;\n\nPor ti&nbsp;\nEspero o sem\u00e1foro mudar; \nGuardei p'ra estacionar esta \nvaga; A \u00fanica que tinha,&nbsp;\nA \u00faltima que me restava.&nbsp;\n\nPodes entrar.&nbsp;\nPrometo ter cuidado.&nbsp;\nN\u00e3o vou por veredas&nbsp;\nOu caminho apertado,&nbsp;\n\nA n\u00e3o ser que te queiras perder.&nbsp;\n\nNunca mais&nbsp;\nQuiseste seguir o mapa.&nbsp;\nN\u00e3o d\u00e1s sinal,&nbsp;\nNem dire\u00e7\u00e3o, nem morada;&nbsp;\nOnde estamos, afinal?&nbsp;\n\nVou desejar&nbsp;\nQue haja tr\u00e2nsito;&nbsp;\nE filas pregui\u00e7osas&nbsp;\nPara podermos continuar&nbsp;\nA ver o mundo pelo para-brisas.&nbsp;\n\nOutro algu\u00e9m,&nbsp;\nQue se sente a\u00ed,&nbsp;\nNem adivinha que peito\nProtege esse cinto.&nbsp;\nSer\u00e1 que ele sente o mesmo que sinto?&nbsp;\n\nTanto assim&nbsp;\nTe quero e te espero.&nbsp;\nTarde, manh\u00e3 e madrugada&nbsp;\nTrinta e quatro, porta de entrada; \nP\u00f4r do sol, meia-noite e \nalvorada.&nbsp;\n\nDeixa-me amar&nbsp;\nEsta vida-viagem&nbsp;\nE odiar o destino.&nbsp;\nGaragem, travagem, paragem, \nn\u00e3o, Nem marcha \u00e0 r\u00e9 ou \ncontram\u00e3o.\n<\/pre>\n<\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Agarra o Cora\u00e7\u00e3o Dentro do Peito &#8211; Menina Di<\/h2>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\">Agarra o cora\u00e7\u00e3o dentro do peito, porque ele corre por este mundo fora; O freio\nnecess\u00e1rio para a seguran\u00e7a da alma, que sem calma, almeja o al\u00e9m.\n\nRespiras este ar que te sufoca, atmosfera sentimental impenetr\u00e1vel de um\nmundo que te engole.\n\nO cora\u00e7\u00e3o embate contra port\u00f5es fechados, esgueira-se por janelas\nsemiabertas, mas choca com humanos de l\u00e1grimas derramadas. J\u00e1 n\u00e3o querem\nmais; o cora\u00e7\u00e3o fugiu e voltou quebrado; mil pe\u00e7as dissolvidas num caminho\ntrilhado, caminho de um sentido, desbravado por um corpo cego de paix\u00e3o.\n\nNas ruas da alma, o cora\u00e7\u00e3o \u00e9 ladr\u00e3o e a racionalidade marginal; o entendimento\nvanesce na sombra de um cora\u00e7\u00e3o colossal.\n\nO cora\u00e7\u00e3o cantante segue por encontros, risos e car\u00edcias. Cora\u00e7\u00e3o ladino que\nsucumbe ao toque que te faz vibrar, ao beijo que alimenta a vol\u00fapia, ao olhar\nque te arrebata.\n\nDo cora\u00e7\u00e3o \u00e9s ref\u00e9m, iludido de corpo e alma, v\u00edsceras que perdem governo,\n serenidade que se extingue. Sem rogar licen\u00e7a ele te domina e tu desequilibras-\nte no correr da vida.\n\nE ele, cego, \u00e9 quebrado em esquinas trai\u00e7oeiras e cruzamentos n\u00e3o sinalizados;\nseguindo sem mapa, sem freio, embraveado. E agora, mil pe\u00e7as jazem numa\nterra outrora f\u00e9rtil. A racionalidade apanha a pouco e pouco os cacos,\nagachando-se em mem\u00f3rias fr\u00edvolas.\n\nO rio do tempo corre, algumas pe\u00e7as s\u00e3o perdidas na corrente; o cora\u00e7\u00e3o fica o\nmesmo, mas diferente; a racionalidade reinventa o sentir, o bater \u00e9 fortemente\ncomedido.\n\nPor isso, agarra o cora\u00e7\u00e3o dentro do peito, porque ele corre por este mundo fora.<\/pre>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O Sil\u00eancio de Tudo &#8211; Eduardo D. Luz<\/h2>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\">Pergunto-me... Questiono-me sobre a forma como correm as esta\u00e7\u00f5es em\nmovimento vertiginoso. Sobre a forma como as mem\u00f3rias dan\u00e7am entre os\nnossos dedos, enrugando o len\u00e7ol do corpo e a forma da alma. Questiono-me\nquando \u00e9 que deixei de acreditar que lutava drag\u00f5es, pr\u00edncipe encantado em\narmadura reluzente. Que derrotava as trevas beijado pelo amor de uma\ndonzela. Que acreditava ser capaz de acreditar at\u00e9 que isso fosse verdade....\nQuestiono-me uma vida de interroga\u00e7\u00f5es. Nunca capaz de as responder, de\nlhes espremer o seu tudo, restando-me, solitariamente, o seu nada.\n\nSobretudo, interrogo-me, derradeiramente, o porqu\u00ea de apenas agora\nquestionar. Apenas para me aperceber que dan\u00e7ara cego, em ritmo de valsa,\ntoda a minha exist\u00eancia. Que rodopiava \u00e0 volta da alegria; que saltava,\nelegantemente, sobre o medo, observando, sem sentir, que todos me\nabandonavam, um por um.\n\nAgora, vejo abruptamente que estou num campo em chamas. Que grito a\nminha solid\u00e3o, com apenas o sil\u00eancio para me ouvir. Vejo os sonhos daqueles\nque amei, fitas que caem rumo \u00e0 plenitude do ser nada. Fitas que querendo\nvoar, acabaram apenas por se tornar terra. Ou\u00e7o-as enquanto choram aquilo\nque desejavam ser e, com medo de tamb\u00e9m eu as esquecer, agarro-as\ndesesperadamente, transformando-as em fragmentos do meu corpo, em\nestrelas que gritam o sil\u00eancio das suas vidas.\n\nAh, Tempo, como s\u00e3o pesados! Ah, como ardem.... Ou\u00e7o a minha vontade a\nestilha\u00e7ar-se sobre o seu peso colossal. Sinto as minhas flores a murcharem.\nOs meus sonhos a desvanecerem.... Vejo, agora, que eu sou o campo em\nchamas. Que nunca conseguirei dan\u00e7ar eternamente. Que nunca serei capaz\nde marcar o mundo com vento. Que nunca saberei outra vez o que \u00e9 querer\nvoar...\n\nOh, Tempo, vejo as palavras de Ontem, ou\u00e7o as l\u00e1grimas de Hoje e apenas\nanseio preencher-me com o vazio de Amanh\u00e3...\n\nAh, como o Tempo pesa! Ah, como arde... Ah, como seria bom n\u00e3o mais ser...<\/pre>\n\n\n\n<p>Nota de autor: <\/p>\n\n\n\n<p>Este poema, escrito em prosa po\u00e9tica, pinta o cen\u00e1rio no qual se apresenta<br>usando duas grandes tem\u00e1ticas para lhe dar cor e forma: o significado de<br>envelhecer e o papel do sonho na vida do Homem. \u00c0 medida que o tempo vai passando, n\u00e3o nos apercebemos daquilo que vamos deixando para tr\u00e1s com esta sua passagem, t\u00e3o r\u00e1pida, nomeadamente, aqueles que amamos e os seus sonhos. O sujeito po\u00e9tico acorda, assim, subitamente, do seu transe, questiona tudo aquilo que era demasiado cego para conseguir ver antes e, descartando, por fim, a sua ingenuidade, apercebe-se que est\u00e1 sozinho e, principalmente, que todos os sonhos dos que amou foram em v\u00e3o. Por isso, numa tentativa de, por um lado, n\u00e3o os esquecer para n\u00e3o se sentir t\u00e3o sozinho, e, por outro, para garantir que eles foram relevantes no mundo, encarrega-se de realizar os sonhos deles, tornando os seus. No entanto, se por um lado isto torna-se uma responsabilidade demasiado pesada para ele suportar acabando por ter de se esquecer dos seus pr\u00f3prios sonhos e ambi\u00e7\u00f5es, apercebe-se de que \u00e9 imposs\u00edvel marcar o mundo s\u00f3 com sonhos, que independentemente do que fa\u00e7amos acabamos eventualmente por ser esquecidos, e por isso, acaba por sofrer e deseja tornar-se tamb\u00e9m ele nada.<br> <\/p>\n\n\n\n<p>Todos sabemos como o tempo passa estranhamente r\u00e1pido, mas a maior parte do tempo n\u00e3o temos verdadeiramente consci\u00eancia de tal. Talvez seja porque a passagem do tempo implique uma mudan\u00e7a irrevers\u00edvel. Porque nos aproxima, inevitavelmente em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 morte. Talvez seja o medo d esse estado desconhecido que nos leva a ignorarmos o assunto, a fecharmos os olhos e a deixarmos de questionar, de sentir e viver a vida, porque n\u00e3o temos no\u00e7\u00e3o do qu\u00e3o pequena ela \u00e9. O sujeito po\u00e9tico abre finalmente os olhos, apercebe-se que apenas se tinha limitado a existir, sem viver, at\u00e9 agora, sem questionar, sem se envolver totalmente naquilo que sentia, sem perceber que todos os que amava iam desaparecendo um por um, at\u00e9 ele ficar totalmente sozinho.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Aqueles que nos rodeiam s\u00e3o facilmente marcados na nossa mente por certos tra\u00e7os de personalidade ou por determinadas a\u00e7\u00f5es que tenham realizado, no entanto, para mim, aquilo que acaba por me marcar mais talvez sejam os seus sonhos. Um sonho \u00e9 colossalmente pesado, da\u00ed o sujeito po\u00e9tico se sentir esmagado por toda a responsabilidade de carregar os sonhos dos outros, sentindo-se at\u00e9 mesmo a arder como se fosse um campo queimado, sem qualquer chance de voltar \u00e0 vida, principalmente por ter abandonado os seus sonhos para tentar, sem sucesso, suportar os dos outros. O sonho define-nos (da\u00ed o sujeito po\u00e9tico lembrar-se imediatamente dos sonhos daqueles que amou mal se apercebe que est\u00e1 sozinho), no entanto, a maior parte deles acaba por nunca se realizar ou, mesmo que acabem por se tornar realidade, muito dificilmente marcam o mundo de uma forma que sobrevivam na mem\u00f3ria do tempo, acabando, assim, por cair no esquecimento. Para mim, sonhar \u00e9 uma eterna dualidade entre ser o leme que permite-nos lutar, evoluir e caminhar em dire\u00e7\u00e3o ao futuro (tanto que, s\u00f3 ap\u00f3s de ter que desistir dos seus \u00e9 que o sujeito po\u00e9tico se abandonou completamente ao desejo de ser nada) e a sua irrelev\u00e2ncia perante a vastid\u00e3o do mundo e do tempo, que pode nos<br>parecer avassaladora e brutal.<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 um poema cuja fun\u00e7\u00e3o se centra no simples despertar de consci\u00eancias, numa tentativa de levantar quest\u00f5es naqueles que o leiam e, sobretudo, para que reflitam sobre o verdadeiro significado da vida e do sonho.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tempo &#8211; Raposa Estrangeira<\/h2>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\">Viajas na minha vida,\nA velocidade de luz\nA tua pressa desmotiva\nE, agora, nada me seduz.\n\nPor isso, pe\u00e7o-te com jeitinho,\nD\u00e1-me liberdade, por favor!\nNa minha mente n\u00e3o fiques perdido,\nQuero-te recordar com louvor.\n\nDeixa-me pensar e amar.\nDeixa-me acordar e estudar,\nler e escrever, pintar e falar,\ncomer e beber, sorrir e chorar.\n\nN\u00e3o me deixes sobreviver,\nPorque eu anseio \u00e9 viver!\n\nOh meu doce tempo,\nSe conseguisse eu dir-te-ia\nPara n\u00e3o andares com pressa,\nViveres e aproveitares cada dia!<\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta edi\u00e7\u00e3o do Concurso &#8220;Primazia \u00e0 Poesia&#8221; o painel de jurados foi composto pelo Prof. Dr. Jorge Correia-Pinto, Investigador no ICVS e presidente da EM-UM, pela Prof.\u00aa Dr.\u00aa Maria de Jesus Cabral, auxiliar convidada na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e investigadora do projeto \u201cNarrativa e Medicina\u201d, e pela Cristina Voronin, membro do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":863,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[35,36],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/hajasaude.alumnimedicina.com\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/qksldw.png","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/hajasaude.alumnimedicina.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/864"}],"collection":[{"href":"https:\/\/hajasaude.alumnimedicina.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/hajasaude.alumnimedicina.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hajasaude.alumnimedicina.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hajasaude.alumnimedicina.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=864"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/hajasaude.alumnimedicina.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/864\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hajasaude.alumnimedicina.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/863"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/hajasaude.alumnimedicina.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=864"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/hajasaude.alumnimedicina.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=864"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/hajasaude.alumnimedicina.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=864"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}